Transplante Osseo na Real

Um diario sobre o tema

Próteses e órteses nas passarelas

Um bela passarela, montada no espaço nobre do Casa do Povo, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, em Brasília, recebeu, nesta semana, cerca de 20 pessoas com deficiência que desfilaram um novo filão da moda no Brasil: a roupa inclusiva.

 Parece mentira, mas a gente sempre tende a expor o lado podre até quando não há podridão para mostrar. Digo isso porque nesta semana fui convidada e aceitei o desafio: desfilei pela primeira vez na minha vida. E de cadeira de rodas! Uma mulher tantas vezes discriminada por ter pés tortos, ser baixinha e inchada, virou símbolo de beleza.

  Na platéia, ninguém menos que Grazi Massafera, senadores, deputados, e meus amados amigos e familiares. Acompanhando a mim e outras cera de 20 Pessoas com Deficiências estavam o brasileiro ferido na missão de paz no Haiti, Capitão Leoni – que foi meu padrinho na segunda entrada do desfile – além de Max Fercondini, Priscila Satto, outras personalidades e pessoas não conhecidas. Todos estavam muito felizes.

 Mostrar que por trás de um pé torto, queixo para dentro, mãos pequenas e dedos tortos, e de uma cadeira de rodas, existe uma mulher, que se veste na moda e tem ideais, era o meu principal desafio. Parece que funcionou, pois me diverti muito e meus amigos PCDs também.

 Esse desfile de moda inclusiva foi proporcionado pela VI Semana de Valorização da PCD do Senado Federal, evento levado no muque por cerca de seis bravas mulheres, que acreditam na causa e, todos os anos, não medem esforços para mostrar à sociedade que a inclusão é possível.

 Mas eis que na imprensa, apesar de ser eu jornalista, me deparo com a podridão. Sites e jornais, inclusive que versam sobre inclusão, afirmam que o desfile foi aquém do esperado e só os globais chamaram a atenção do público.

 Como MODELO registro que os artistas e cada um dos seres ali presentes aprendiam conosco, e nós com eles, a ser INCLUÍDOS. Inclusão significa estar junto aos ditos “normais” e vice-versa, respeitando cada um a diferença do outro, pois o normal é ser anormal e ser normal é anormal, e vice-versa. Registro que inclusão dá trabalho.

 É uma questão que envolve o clima organizacional do Brasil e a Cultura do Estado Brasileiro DEMOCRÁTICO DE DIREITO. Registro o meu desagrado em versões politiquentas e falsas sobre o que de fato ocorreu. Aceito, pois respeito a visão diferente, mas discordo com veemência.

 Ali, nas passarelas do Senado Federal do dia 07 de dezembro, saudáveis, doentes, cadeirantes, famosos e pessoas comuns estavam juntas mostrando que viver em paz e e harmonicamente é possível. Basta haver RESPEITO.

 Convenção da ONU para os direitos das PCDs

Nesta semana também foi debatido, dias 08 e 09, no Senado Federal, o Debate Brasil sobre a Convenção da ONU para as PCDs. O documento foi ratificado pelo governo brasileiro em 2009 e tem força de Lei. Nele, além de prestar contas à ONU sobre a inclusão das PCDs – o que faremos pela primeira vez no início do próximo ano – há legislação sobre o que é uma PCD, como ser tratada no mercado de trabalho, como estudar, como ter acesso à saúde e outros itens. Vale conferir. Clique WWW.senado.gov.br e procure pela legislação. Por isso, vale questionar… Para que termos um Estatuto das PCDs? Para pensar…

 Petiscos

Nesta quarta-feira, dia 15.12, o Brasil dará mais um passo no acesso à Justiça. Será inaugurada, em Brasília, a 27.ª Vara do Juizado Especial Federal, que julga causas de pequeno valor em curto espaço de tempo, segundo a Lei de sua criação. Aqui, causas de saúde – licenças – e aposentadoria podem estar em vigor.

 Combate à corrupção: Dia 09 foi o dia internacional de combate à corrupção. Muito pouco se falou disso… A pensar…

 Deficiência e Igualdade: Foi apresentado no Debate Brasil, no Senado, nesta semana, o livro Deficiência e Igualdade, de Débora Diniz, Marcelo Medeiros e Lívia Barbosa (organizadora). Um livro sobre a legislação de cotas também chamou a atenção do público presente. Para mais informações envie e-mail para acessibilidade@senado.gov.br. Alias, nesse evento uma represente do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo Censo 2010, disse que temos cerca de 50 milhões de PCDs… Cerca de 15% da população… Pena que menos de 5% desse número trabalha, apontam os dados…

 Mara Gabrilli: A deputada federal eleita por São Paulo esteve em Brasília, participando dos debates sobre Inclusão Social no dia 08.12, no Debate Brasil. Pena que, para entrarmos nos banheiros, tenhamos que driblar as molas – esqueceram de tirá-las e driblar os não deficientes que ocupam o banheiro por ser confortável, como o pessoal da limpeza fez durante os debates…Deputada, muito trabalho a ser feito!

 Novo ministro: Reza a lenda nos bastidores da Capital Federal que o novo ministro da Saúde será anunciado nesta semana. Já está na hora do novo governo plantar uma política séria sobre saúde pública. Até o orçamento da Saúde 2011 já foi votado…Agora, é só planejar… Somente isso….

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2 Comentários»

  Priscila Torres wrote @

Olha só, ficamos lindas!

Uma pena, que alguns jornalistas não conseguem ter a minima sensibilidade para se dar conta de quem foi a real a celebridade do evento. Vale a sugestão para 2011 encontrar uma forma da sociedade compreender a missão do evento.
Senti falta no evento da presença das pessoas com doença crônica e auto-imune assim como dos grupos de pacientes espalhados em todo o Brasil. Unidos na hora de gritar pelo direito a medicação de alto custo + infelizmente não pudemos ver a união na hora de gritar por INCLUSÃO da pessoa com doença crônica no mercado de trabalho. Ossos do Ofício.
No 1º dia do fórum foi evidenciado a necessidade de qualificação da pessoa com deficiência, más esqueceram de se lembrar de nós, pessoas com doenças crônicas que descobriram a doença quando já tinhamos a qualificação profissional, porém, não temos a INCLUSÂO no mercado de trabalho. Isso muito me preocupa, porque podemos sim, trabalhar, porém necessitamos de condições especiais para o trabalho. E seria ali neste fórum para Convenção da ONU onde unidos poderiamos dizer, nós doentes crônicos temos a qualificação porém não temos a oportunidade. Vamos nos unir e em 2011 levantar essa bandeira junto deste importante evento! ..

Um prazer estar com vcs, e olha só a coisa da boa da doença, levou a vida a nos apresentar !!

Saudades Lalá..

Bjão..

(manda beijão pra mãe)

  Malu wrote @

Muito bom o trabalho de vocês…e esse desfile?
Muito bem bolada essa idéia de fazer esse desfile, pois, será que acham que deficiente não gosta de se vestir na moda e com elegância?
Não deixamos de ser mulher, de ser feminina e vaidosas por sermos deficientes.
Parabéns pelo desfile e por todo seu trabalho!
bjão
Malu


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