Transplante Osseo na Real

Um diario sobre o tema

Anapar divulga sua primeira reportagem em 2010

Publicada em 06 de janeiro deste ano, a Opinião da presidente da Associação Nacional de Grupos de Pacientes com Reumatismo (Anapar) sobre viver com a doença e a esperança.

 Trata-se de texto acerca de remédios biológicos e outros mais modernos que podem auxiliar os pacientes, crianças, adultos e idosos, a evitar a deformação e a conseqüente disfunção articular.

 Leia texto:

 Publicado no “Correio Brasiliense”. Brasilia, quarta feira, 6 de janeiro de 2010 . OPINIÃO.13

ENTRE A DOR E A ESPERANÇA

ABIGAIL GOMES SILVA

Presidente da Associação Nacional de Grupos de Pacientes Reumáticos (Anapar)

Os quase 500 mil brasileiros que sofrem de artrite reumatoide vivem momento decisivo e angustiante. Estão à espera da revisão da lista de medicamentos oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento dessa doença crônica e de causas desconhecidas, cujo principal sintoma é a inflamação articular persistente.

O trabalho de atualização dos protocolos de mais de 80 doenças está em curso, realizado por técnicos do Ministério da Saúde, com a colaboração de médicos do Hospital Oswaldo Cruz, de São Paulo, e a artrite reumatoide foi incluída nessa revisão.

Os doentes aguardam, mas têm pressa, pois a dor não espera. Não é difícil descrever o sofrimento desses pacientes. Doenças reumáticas são a terceira maior causa de faltas ao trabalho no Brasil. As dores nos braços, mãos e costas costumam ser tão fortes que, em muitas ocasiões, a pessoa afetada não consegue sequer se levantar da cama. Não há tratamento curativo para a artrite reumatoide: uma vez diagnosticada, a prescrição de medicamentos e o acompanhamento médico valem para a vida toda.

Recentemente, surgiram algumas boas notícias para quem sofre de artrite reumatoide. Nos últimos anos, novos esquemas de tratamento foram desenvolvidos, remédios antigos estão sendo mais bem aproveitados e medicamentos com tecnologias superiores vêm aparecendo no cenário, muitas vezes com custos bem menores. Também já é comprovado que o diagnóstico precoce e a associação de várias drogas desde o início do tratamento são fatores capazes de melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Existe, porém, um obstáculo importante no sistema público de saúde brasileiro: os protocolos desatualizados impedem o acesso aos remédios. Essa situação acontece não apenas no caso da artrite reumatoide, mas com uma série de doenças graves e está no âmago do debate sobre a judicialização da saúde, fenômeno recente e que tem se tornado cada vez mais frequente.

É simples entender o que se passa: sem recursos para bancar na rede privada tratamentos caros, muitos pacientes passaram a ingressar na Justiça para garantir o direito de acesso a medicamentos que o SUS não fornece e vários convênios não bancam. Como a Constituição Federal diz que a saúde é um direito fundamental, garantido pelo Estado, a maior parte dos juízes vem dando ganho de causa aos doentes, obrigando o Estado a pagar os custos dos tratamentos.

Se para o Estado a conta sai salgada, para os pacientes são dois sofrimentos: a doença e a batalha judicial para conseguir acesso a algo que está logo ali, tão perto e ao mesmo tempo tão distante: o novo medicamento, mais moderno, esperança de melhora, do fim da dor, ou até mesmo sinônimo de cura. Felizmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) percebeu que a situação estava passando de qualquer limite e agiu, realizando audiência pública sobre o assunto. A iniciativa, por sua vez, levou o governo a rever os protocolos e as listas de medicamentos que o SUS deve oferecer. Atualmente, os técnicos do ministério e os médicos do Oswaldo Cruz trabalham para definir novas normas para diagnóstico e tratamento de 86 enfermidades.

No caso da artrite reumatoide, há novos remédios que poderão ser oferecidos, com enorme ganho no tratamento. São medicamentos biológicos, recomendados quando os tradicionais param de fazer efeito ou não funcionam com os doentes.

O STF decidiu, o governo federal está trabalhando. Certamente, os especialistas deverão se sensibilizar com a eficácia e a ampliação das possibilidades que os novos medicamentos e esquemas de tratamento proporcionam.

Uma solução ideal seria a universalização das listas, com acesso amplo, geral e irrestrito dos pacientes às drogas cada vez mais necessárias para aumentar as chances de cura ou aumentar o bem-estar e garantir sobrevida mais longa. Com a universalização, ganham os pacientes, ganha o governo — que poderá planejar e barganhar com os laboratórios a aquisição dos medicamentos, aí sim, com previsão de quantidade ou escala para as compras.

Enquanto os técnicos e médicos deliberam sobre a lista final, os quase 500 mil brasileiros com artrite reumatoide aguardam. Com dor, mas também com a esperança de um futuro melhor e do fim dos obstáculos aos tratamentos mais modernos disponíveis no mercado. É o que lhes garante a Constituição Federal do Brasil.

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