Transplante Osseo na Real

Um diario sobre o tema

Quem sou eu

Quando eu era mais nova, pensava sempre como seria fazer uma cirurgia e ficar entre a famosa “vida e morte”, naquele estado que a gente não sabe se vai ou se fica. Para mim, acostumada a fortes dores desde os 7 anos de idade em função de uma grave doença degenerativa, AIJ (Artrite Idiopática Juvenil), a morte, às vezes, me parecia mais fácil. Era mais fácil imaginar uma realidade sem dores. Hoje, com 31 anos, agradeço muito por ter morrido, para, então reviver.

 

Explico.

 

Estou quase completando bodas de prata em consultórios médicos. Vinte e cinco anos em consultórios não é fácil. Já passei por catapora enquanto eu tomava altas doses de corticóides, o que me levou a ter bolhas nos pulmões, passei pela minha primeira artroplastia bilateral total do quadril aos 16 anos, nos Estados Unidos, quando fiz os dois quadris de uma tacada só. Fiz tratamento num conceituado hospital de Baltimore (EUA), no Children`s Center, para AIJ. E, agora, há cerca de dois anos, passei por mais duas rodadas de amor a vida, e morri, deixei pra trás quem era e me transformei numa nova pessoa: fiz a revisão da ATQ no Into, com dois transplantes de ossos do Banco de Ossos e, pasmem, passei também por duas osteomielites – a temida infecção óssea, uma delas com direito a bactéria famosa e tudo o mais: o enterobacter multirresistente… Mas eu sou teimosa. E continuo aqui!

 

Continuo aqui graças ao amor de dois doadores – que me cederam seus ossos, por meio da morte, a minha amiga morte, que tanto me fascinava quando eu era criança, achando que ela resolveria todos os meus problemas. De fato, ela resolveu boa parte deles. No entanto, nunca imaginei que faria um transplante.

 

Certo dia ouvi um amigo dizendo que o grande problema da péssima divulgação do transplante de ossos no Brasil é porque quem precisa de osso não está morrendo. E, por tabela, não serve para a minha amiga imprensa fazer uma historinha novelesca, como nós, jornalistas, tanto gostamos de trabalhar. Isso mesmo: sou jornalista. Não me perguntem como consegui me formar, passar em concurso público com Artrite (leia-se sendo deficiente física)… Não faço a menor idéia. Meu amigo completou: quem precisa de um transplante ósseo está precisando de QUALIDADE DE VIDA. Apenas isso. Viver com um sorriso no rosto. E não seria morrer, viver com degeneração, perdendo osso?

 

Assistindo a uma série de reportagens que ocorreram, neste último ano, sobre transplante, não vi uma matéria sequer numa grande mídia, a respeito do transplante de osso. O mais engraçado, no entanto, é que eu digo aos meus amigos e familiares a mesma coisa que os entrevistados que operaram o rim, o coração…. Quando me perguntam, hoje, o que mais quero, respondo: quero ser mãe, gerar vida. E o nome da minha filha, ou filho, já estão escolhidos: Vitória, se menina. Uma homenagem, se menino. Incrível. A gratidão e a nova vida, no meu caso, sem dores no quadril, me tornaram eternamente agradecida.

 

Pois bem. Quando entrei no consultório do meu cirurgião pela primeira vez, quase saí correndo de tanto medo – e olha que o meu quadril já estava super deslocado! Transplante? Eu? De osso? Kkkk! Esse cara é louco, pensei. Jornalista, curiosa, estudei e vi que louca era eu, de ser tão ignorante.

 

Em 2006 fiz dois transplantes, um do lado direito, outro do esquerdo, recheados com a osteomielite. Mas quando me perguntam o pior: o pior foi a espera, não a cirurgia, não o broncrofibro, os 2 meses internada, as sondas. O pior foi a espera. O tempo passa muito devagar para quem está se degenerando, apodrecendo numa cama. Esperei um ano por um doador – e eu era das primeiras da fila.

 

Mais de três anos se passaram, e muito pouco mudou no universo da doação. Uma doação aqui, outra ali, parece que estamos mendigando doações. Peço, clamo, para que os brasileiros – conhecidos como um povo solidário – doem ossos. Uma vida nova pode começar para quem ficou aqui, na Terra.

 

No livro que escrevi “Diário de um Transplante Ósseo – na Real Dois”, de distribuição gratuita, transmito que espero, do fundo do coração, que todas as lárimas que chorei durante o tempo de espera por um doador, durante a recuperação – a cirurgia não é fácil, a recuperação é dolorosa e demorada – durante o pós-operatório, se transformem em sorrisos para os meus amigos que, como eu, são brasileiros: não desistem nunca e têm a certeza de que ficarão bons, transplantados, e felizes. Que essas lágrimas se transformem, sim, na vida eterna. E feliz. DOE OSSOS. DOE QUALIDADE DE VIDA. Um forte abraço a todos.

 

Para adquirir o livro GRATUITAMENTE ou para mais informações, envie um e-mail para

lalajansen@yahoo.com.br.

 

 

 

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6 Comentários»

[…] Já são três meses no ar, mil acessos e destaque no ranking do Google. Se você buscar informações sobre Transplante Ósseo na internet, será contemplado pelo Blog Transplante Ósseo na Real- Um diário sobre o tema, da jornalista Larissa Jansen. […]

  larissajansen wrote @

Ni! Super tks!!! Somente isto posso dizer. Espero que as 700 pessoas hoje, esperando um doador, o encontrem logo.Bjs Lala Jansen

  Maria Emília Bottini wrote @

Larissa, parabéns pelo livro eu gostei dele. Vou fazer minha parte ajudando na divulgação de que é possível a doação de ossos, que até então não sabia.
Abraços e boa luta.
Emilia

  A.Barbosa wrote @

Tive o privilégio de ser agraciado com o livro “Diário de um transplante ósseo – na real, dois” da Larissa Jansen. Eu já era doador de sangue, queria ser de medúla, e recentemente (semana passada) estive no hemoce pra fazer minha doação e já me cadastrei para medúla. Também avisei para minha família que quando eu morrer, pode deixar tirar tudo (se ainda tiver o que aproveitar); córneas, pele, rins, etc., eu não vou precisar deles mesmo. Minha mulher perguntou: E o que vamos enterrar? Eu repondí: Se sobrar alguma coisa, queima. Mas, brincadeiras à parte, Obrigado Larissa Janssen pelo testemunho, exemplo de coragem e determinação em viver (obrigado também pelo livro, que inclusive divulguei lá no hemoce e tomei a liberdade de passar seu e-mail pro pessoal de lá para que façam pedidos). Que Deus abençoe você todos os dias e o dia todo.

[…] do livro, comecei em 2007 a campanha. Participo de eventos, busco espaço na imprensa, criei um blog para falar discutir o assunto. Faço o que está ao meu alcance para aumentar o conhecimento das […]

  goreti carneiro wrote @

Minha filha tbém se chama Larissa e pasmem tbém tem AIJ na forma sistemica. Já está em tratamento a um ano e com fé em Deus e nos avanços da medicina segue sua vida normal, indo a escola, lendo seus livrinhos, isso mesmo aprendeu a ler com 04 aninhos. É auto didata, faz nataçao, corre, pula, brinca e anda pra todo lado. Hoje está com 05 anos e é uma guerreira. Já passou por maus pedaços até fazer seu diagnóstico. Acredito que em 03 ou 04 anos de tratamento ela entrará em remissão da doença que atualmente está controlada. Gostaria muito de ganhar seu livro.
Há um tempo atrás, numa dessas noites sem sono te vi na televisão.
Um forte abraço!
Goreti


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